13/03/2013

Nous sommes ou We are?

Dou aulas há mais de 25 anos e as frases que mais ouço são: francês é uma língua liiiiiiinnnda, mas é muuiiiiiiito difícil. Sempre quis aprender francês, mas aprendi inglês. A maioria dos alunos me diz que estudou inglês, porque era mais importante, e que francês, apesar de bela, é complicada para aprender. 

Já imaginaram, como eu, uma apaixonada pelo idioma e uma professora me sinto, quando ouço essas 'atrocidades'? Na verdade, devo confessar que até me sinto um pouquinho 'gênio', porque se francês é uma língua tão complicada e eu a ensino, devo estar acima do bem e do mal. Brincadeirinha!!!

A primeira coisa a favor do idioma é sua origem. Uma língua latina. Não consigo entender como um brasileiro pode achar que dizer We are...
...é mais fácil que apenas mudar um pouquinho a posição dos lábios e dizer Nous sommes (quase nós somos). Uma língua onde professor é professeur e não teacher, cinema é cinéma e não movie, rua é rue e não street, pensar é penser et não to think, pode ser assim tão complicada? Uma língua onde a vogal a tem som de a, como em Canada (=Canadá, em português), as vogais e, i, o, a mesma coisa. Está certo que é preciso ajustar um pouco o ar dentro da boca, fazer um biquinho, mas, como sempre repito, esse é o grande charme da língua francesa, é isso que faz dela uma língua liiinnnda!

Bem, preciso me render: o inglês era, é e, pelo jeito, ainda será por algum tempo, mais importante. E é por aí que continuo a tentar desmistificar essa terrível fama do francês, como uma língua complicada, difícil, quase inacessível aos mortais. Porque foram o Império Britânico e os Estados Unidos, no final do século XIX, início do século XX que difundiram o inglês pelo mundo, seja por suas colônias, seja por seu crescente poderio militar e industrial. O inglês passou a estar presente na vida de todos e sua importância tornou-se cada vez maior. Isso é fato! O que não tem nada a ver com ser mais fácil, a presença do idioma se tornou constante em todo o mundo, a tal ponto que para qualquer pessoa ouvir help, é sinal que alguém precisa de ajuda e se ouvir au secours, alguém pode até morrer sem socorro. 

Aí me dizem também: Ah, mas em inglês não preciso flexionar os verbos, mais ou menos verdade! Todas as vezes que tentei aprender inglês, esbarrava naqueles passados apavorantes e ficava pensando se, realmente, todas as pessoas que me diziam que inglês é fácil, não saberiam apenas aquele vocabulário básico da escola e/ou de viagem, que até eu sei.
Por outro lado, os verbos do primeiro grupo em francês, que correspondem a mais de 70% dos verbos franceses, tem todos, sem exceção a mesma terminação: télephoner, visiter, habiter, parler, travailler, étudier, aimer, consolider, graver e por aí vai... Um idioma desses pode ser difícil ?? E o passado então? Um verbo auxiliar e a mesma forma do verbo principal para todas as pessoas!!!

Eu ainda poderia falar da dificuldade absurda em se tentar pronunciar o 'th', da grande quantidade de verbos e tempos verbais em francês, o que prova que é uma língua rica e igual ao português que falamos, ainda poderia falar sobre o charme do 'biquinho', do número onze que é onze e não eleven e por aí vai.
Poderia tentar convencê-los que para aproveitar tudo que só Paris tem a oferecer, é preciso poder compartilhar frases, citações, menus e mesmo para amenizar o mau humor francês, é preciso se falar a língua de Vitor Hugo, Voltaire, Molière! Mas, acho que já ficou mais ou menos claro que a língua francesa que é liiiiiinnda e semelhante a nossa língua materna é também très 'facile' (e não 'easy')!

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